O fascínio da BR 230 – I parte.

O simples fato de estar na Amazônia, com seus encantos, lendas, riqueza natural, rios, praias, cachoeiras, cavernas, plantas e animais já seria suficiente para deixar até os mais desatentos completamente mundiados… Mas, a Rodovia Transamazônica (BR 230), produz algo a mais, seus quarenta anos mexem com o imaginário, mesmo dos que ainda não tiveram a oportunidade de estar na Amazônia. A precariedade da rodovia é o sonho de muitos jipeiros, pois instiga, somente aos mais aventureiros, sua travessia em veículos 4×4, e instiga não somente pela vontade e possibilidade de transpor o que muitas vezes parece, ou é intransponível, mas também pela história do projeto inicial, como viveram e vivem os novos amazônidas. O meu encantamento pela BR 230 e região, vem desde os tempos da Escola Tenente Rego Barros, onde assistíamos os cinejornais nas aulas de Educação Moral e Cívica – EMC, e Organização Social e Política do Brasil – OSPB, e lá se contava tudo sobre a grande aventura e sonho de muitos brasileiros, e apesar do encantamento realizávamos debates bem interessantes para a pouca idade vivida, outras fontes de inspiração eram as histórias e aventuras contadas pelo meu Pai, um catalineiro que chegou por essas bandas em 1958 e ajudou a escrever a história da FAB aqui na Amazônia; e o meu Tio André, que de Altamira ganhou o mundo e com seus livros, contos e causos nos remete aos rincões da Terra do Meio, curupiras, matintas e todo o encantamento da natureza.

Para  jipeiro tudo pode perecer uma grande diversão, e pode acreditar, é! Porém existem no Pará 1,2 milhões de pessoas que vivem nas cidades, vicinais e margens ao longo da rodovia, Eu já fui um desses viventes, e apesar de todas as dificuldades sempre fui muito feliz ali – a energia “estável” do tramoeste chegou junto comigo em Rurópolis no início de 1999, iluminação pública? Havia em três pontos: 1- Porta da Delegacia de Polícia (próximo a Prefeitura); 2- Porta do Posto Telefônico (que funcionava até 21:00h); 3- Porta do Hospital do SESP (que estava em processo de municipalização); certa vez levei mais de vinte e quatro horas para voltar de Santarém para Rurópolis, são 219 km pela BR 163, dos quais já estavam asfaltados 88 km (ônibus pesa parceiro!), hoje o asfalto já passou do quilômetro 152 e o restante está sendo trabalhado; em uma tentativa de chegar a Itaituba (157 km) voltamos do meio do caminho pois, após “vencermos” um atoleiro de uns dois quilômetros chegamos a um tubulão metálico que havia se rompido e sido levado com a força da enxurrada, não havia como atravessar o córrego que vez ou outra virava um rio; nas ladeiras que tem no caminho para Placas (80 km) caí de moto algumas vezes subindo e outras descendo, nas vicinais também… Vi coisas terríveis, acidentados e doentes esperando e rezando para que o pequeno avião pousasse, recordo de uma viagem em ficamos sobrevoando Rurópolis por mais tempo que a distância para Itaituba e quando o avião “tocou a pista” a lama veio na minha janela (foi um susto grande e uma risada legal!); plantações e pomares carregados de frutas apodrecidas (não valia a pena colher por que não havia comprador, nem tinha como escoar a produção), um outro dia encontrei um colono cearense que ia descalço pela vicinal (não recordo o quilômetro) e com uma saca de pimenta do reino nas costas, parecia um garimpeiro, parei a moto para perguntar quantas casas haveriam mais a frente somente para assuntar… Até pensei em dar uma carona, mas estava com o isopor de vacina na garupa e tinha que ir até a última casa daquela vicinal com mais de trinta quilômetros… “Não precisa não doutor, já estou chegando! Vá com Deus que o senhor vai ter muito trabalho hoje…” E ele tratava aquele saco de pimenta como ouro mesmo, naquele ano o preço chegou a R$19,00/kg, então o sacrifício valeria algo em torno de setecentos a oitocentos reais, um bom dinheiro naquela época e situação…

Sobre Trilhando para onde o caminho levar... sandro José bentes lemanski. PERMITIDA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE INFORMADA A FONTE.

Marido, Pai, Filho, Irmão, Tio, Amigo, Médico Veterinário Esp. Educação Ambiental. Amante da Natureza e do mundo 4x4 fora da estrada, trilhandopara onde o caminho levar, com respeito ao homem, peça central da natureza e este dependente dela. trilhandopara consolidar os laços da família... trilhandopara fazer e reunir os amigosdojipe... trilhandopara trabalhar, estudar, divertir, fazer o bem, cuidar de pessoas e do meio ambiente... trilhandopara simplesmente ser feliz... Ver todos os artigos de Trilhando para onde o caminho levar... sandro José bentes lemanski. PERMITIDA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE INFORMADA A FONTE.

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