O fascínio da BR 230 – II parte

Quando falamos, ou se ouve falar da transamazônica, sempre parece como algo ruim. Mas, tudo o que vivi foi maravilhoso!!! Aprendi muitas coisas, valiosas até hoje. Conseguimos levar vacinas onde ninguém havia chegado, visitei cavernas e cachoeiras, comi muita galinhada e buchada de bode, churrasco? Quando tinha era de boi inteiro! Bebi além de cerveja e campari, muito chimarrão.

Morei no principal ponto turístico da cidade – Hotel Presidente Médice, que foi construído para acomodar os técnicos do INCRA responsáveis pelo assentamento dos milhares de nordestinos e sulistas que se instalaram na região, quando já próximo da inauguração daquela etapa (1ª e única rurópolis construída), os administradores concluíram que o lugar não daria acomodação adequada ao Presidente, foram então construídos duas suítes presidenciais para alojar Médice e sua comitiva, dotadas de centrais de ar condicionado, geladeiras, decorados com requinte, e chuveiro elétrico (instalei um no meu quarto também… A água era fria de doer!), painéis de madeira esculpida, salão para reuniões, cozinha industrial, refeitório e uma piscina em forma de feijão. O hotel alojou dois dos presidentes militares, o Presidente Médice na inauguração daquele trecho da BR 230 e da rurópolis “Presidente Médice” em 1974, e posteriormente o Presidente Geisel, que passou somente um dia, não pernoitando no hotel…

Também conheci muita gente boa, com suas histórias e estórias fantásticas – recordo do Seu Dedé, uma das figuras mais hilária e muito instigante, certamente um grande conhecedor da história local e bom contador de causos, foi um dos pioneiros a chegar, e como era fotógrafo “de ofício” tem em suas mãos o registro fotográfico da fase áurea, guarda com carinho em um classificador duro o rico acervo pessoal de imagens daquela época da construção e inauguração da BR 230 e da rurópolis, foi vereador de Aveiro e lutou pela emancipação de Rurópolis – não sei se continua tentando se eleger novamente… Conta a lenda que ele fazia de bicicleta o trecho da BR 163 até Santarém fotografando quem estava no caminho, e após revelar os filmes retornava para Rurópolis entregando e cobrando pelo serviço… Contam também que, ele “encantado” pelo cheiro, sabor e tamanho de uma jaca que lhe fora servida – e como havia  promessa da instalação de uma agroindústria de beneficiamento de frutas, resolveu que seria um bom negócio e plantou cinco mil pés de jaca – quinhentos já seria um exagero, a agroindústria nunca foi inaugurada e o lote abandonado – ninguém suportava o cheiro de jaca apodrecida… Quando o conheci, ele era proprietário de uma “casa noturna”, que também funcionava de dia, era também presidente do conselho municipal da criança e do adolescente – não me perguntem o porquê? Imagino que para evitar o abuso ou exploração de meninas, posto que homem de bem sempre se mostrou… Sempre me convidava, e por alguma razão nunca fui ao estabelecimento.

Digo sempre que, viver na esquina da BR 230 com a BR 163 foi muito bom!!! Tão bom que, um belo dia a irmã da minha mulher me telefonou de Itaituba (era enfermeira lá), pedindo que fosse buscar sua irmãzinha caçula no aeroporto, pois estaria chegando para trabalhar… E que Eu desse toda a atenção possível. O que posso dizer? Estamos casados desde então…

Sobre Trilhando para onde o caminho levar... sandro José bentes lemanski. PERMITIDA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE INFORMADA A FONTE.

Marido, Pai, Filho, Irmão, Tio, Amigo, Médico Veterinário Esp. Educação Ambiental. Amante da Natureza e do mundo 4x4 fora da estrada, trilhandopara onde o caminho levar, com respeito ao homem, peça central da natureza e este dependente dela. trilhandopara consolidar os laços da família... trilhandopara fazer e reunir os amigosdojipe... trilhandopara trabalhar, estudar, divertir, fazer o bem, cuidar de pessoas e do meio ambiente... trilhandopara simplesmente ser feliz... Ver todos os artigos de Trilhando para onde o caminho levar... sandro José bentes lemanski. PERMITIDA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE INFORMADA A FONTE.

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